Hierarquia das Capacidades Físicas
Hierarquia das Capacidades Físicas

O corpo humano é dependente do movimento. Ele se desenvolve a partir do movimento, adoece com a falta dele e se recupera na presença do mesmo. As recentes pesquisas já reportaram como o músculo, ao ser trabalhado, libera de forma sistêmica, substâncias anti-inflamatórias e anabólicas.

Esse processo só acontece durante o movimento/atividade física/exercício. Dessa forma, praticamente todo o movimento é válido, com algumas ressalvas, e também só reforça a importância da atividade física para a manutenção e/ou recuperação da saúde, visto que dificilmente encontramos alguma doença que não esteja indicado alguma forma de exercício como parte do tratamento.

Nessa “cinesio-dependência” do corpo humano, três capacidades físicas ocupam os primeiros lugares em relação às outras, pois estas são produtos das primeiras. A primeira capacidade que um corpo saudável precisa ter é mobilidade, a capacidade de movimentar-se livremente. Quanto maior for a mobilidade global de uma pessoa, menor será a chance de tornar-se dependente de cuidados nas atividades básicas, como vestir-se, sentar e levantar de uma cadeira, mexer-se na cama e higiene pessoal.

Um corpo móvel e flexível também apresenta melhor controle da pressão arterial, por maior elasticidade dos vasos sanguíneos4, e ainda é um indicador de saúde cognitiva5, devido ao arranjo neural necessário para planejar, executar e refinar cada movimento realizado.

Em segundo lugar está o condicionamento aeróbico6, pois indica o consumo de oxigênio pelos órgãos e tecidos e a sua capacidade de manter-se fisicamente ativo, resistindo ao esforço de alguma tarefa. É um grande preditor de mortalidade e incidência de transtornos de humor, como ansiedade e depressão.

Em terceiro lugar, e tão importante quanto às outras duas, está a capacidade de produção de força. Ter força é vital para o corpo humano, tanto que a falta dela está fortemente associado à mortalidade, elevada incidência de doenças crônico-degenerativas e câncer8.

O bom equilíbrio é resultante da força com a velocidade, para perceber a oscilação corporal e reagir rapidamente. O desempenho pobre não está relacionado à mortalidade, mas à episódios de quedas e fraturas.

E a pliometria apresenta princípios parecidos, mas como envolve movimentos mais amplos e grandes grupos musculares, a mobilidade se torna essencial para melhor performance, menor gasto energético e chances diminuídas de lesão.

A potência muscular e aeróbica estão relacionadas a maior velocidade sináptica, o que também diminui o risco de doenças neurológicas, quedas e mortalidade.

REFERÊNCIAS:
1. Chow LS et al.”Exerkines in health, resilience and disease.” Nat Rev Endocrinol, (2022) May;18(5):273-289. Doi: 10.1038/s41574-022-00641-2;

2. Maestroni L et al. “The Benefits of Strength Training on Musculoskeletal System Health: Practical Applications for Interdisciplinary Care.” Sports Medicine, https://doi.org/10.1007/s40279-020-01309-5;

3. Garatachea N et al. ”Exercise Attenuates the Major Hallmarks of Aging.” Rejuvenation Res (2015); Feb;18(1):57-89. Doi: 10.1089/rej.2014.1623;

4. Kato M et al. “The Efficacy of Stretching Exercises on Arterial Stiffness in Middle-Aged and Older Adults: A Meta-Analysis of Randomized and Non-Randomized Controlled Trials.” Int J Environ Res Public Health (2020) Aug 5;17(16):5643. Doi: 10.3390/ijerph17165643;

5. Garo-Pascual M et al. “Brain structure and phenotypic profile of superagers compared with age-matched older adults: a longitudinal analysis from the Vallecas Project.” Lancet Healthy Longev (2023) Aug;4(8):e374-e385. Doi: 10.1016/S2666-7568(23)00079-X;

6. Kokkinos P et al. “Cardiorespiratory Fitness and Mortality Risk Across the Spectra of Age, Race, and Sex.” J Am Coll Cardiol (2022) Aug 9;80(6):598-609. Doi: 10.1016/j.jacc.2022.05.031;

7. Lang JJ et al. “Cardiorespiratory fitness is a strong and consistente predictor of morbidity and mortality among adults: na overview of meta-analyses representing over 20.9 million observations from 199 unique cohort studies.” Br J Sports Med (2024) May 2;58(10):556-566. Doi: 10.1136/bjsports-2023-107849;

8. López-Bueno R et al. “Thresholds of handgrip strength for all-cause, cancer, and cardiovascular mortality: A systematic review with dose-response meta-analysis.” Ageing Res Rev (2022) Dec:82:101778. Doi: 10.1016/j.arr.2022.101778;

9. Araújo CGS et al. “Muscle Power Versus Strength as a Predictor of Mortality in Middle-Aged and Older Men and Women.” Mayo Clin Proc (2025) Aug;100(8):1319-1331. Doi: 10.1016/j.mayocp.2025.02.015.
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